Só haverá solução se for conjunta
Na guerra contra violência e a insegurança, o governo tem perdido terreno e a sociedade tem sido a maior vítima. Os operadores de segurança pública têm sido soldados valentes e atuantes, contudo inexitosos, e sobre estes quase sempre recaem a responsabilidade e a obrigação da solucionar o problema.
A violência cresce a passos largos e é cada vez assustadora, mas só nos damos conta, quando somos a vítima ou quando a mídia notícia um fato que nos choca. Muitas das vezes nos perguntamos o que fazer, como resolver, quando isso vai parar.
O governo Federal munido destes mesmos sentimentos busca através da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública encontrar novos rumos, novos caminhos, novas diretrizes que nos levem a tão desejada vitória contra a violência e a insegurança. Assim, coloca no mesmo palco gestores, trabalhadores e sociedade civil, para que juntos encontrem as respostas para as perguntas que fazemos todos os dias e não encontramos respostas. O certo é que estamos no mesmo barco e temos inimigos comuns: a criminalidade crescente e a violência dos grandes centros urbanos.
O Brasil é um país de profundos contrastes e diferenças sociais, e isso é tido por especialistas e leigos como causa e fomento da criminalidade. Independente de ser essa ou outra a razão, para encontrarmos as respostas é necessário que gestores, trabalhadores e sociedade civil se libertem de seus preconceitos e equívocos acerca de segurança pública. É imperioso se compreender que a solução passa pela união de todos: sociedade, administradores, trabalhadores. Somente irmanados de um único sentimento de pacto, coesão, aliança, de vontade de resolver para que juntos possamos vencer esta guerra que vitima a todos e em especial aos menos favorecidos.
É necessário, porém, que se faça justiça: os detentores de poder, seja poder econômico ou poder político têm uma responsabilidade maior pelo estado de insegurança no qual estamos inseridos. Assim, todos os participantes devem estar prontos a ouvir, a falar, a propor, bem como buscar compreender as limitações e as necessidades de cada um. Não abandonando temas como a valorização profissional, o controle externo, o financiamento e a gestão da segurança pública, uma polícia cidadã e acima de tudo, o desenvolvimento de parâmetros que resultem em uma política de segurança pública de estados e não de governador. Esses são pontos fundamentais para iniciarmos a busca por mudanças, por uma nova modalidade de segurança resolutiva, arraigada na cidadania, na união e no profissionalismo e não em metodologias falidas que não dão resultados, e que só se prestam como trampolim de governantes e gestores que usam a necessidade iminente de uma segurança eficaz como degraus de ascensão política e funcional, esquecendo-se da sociedade e dos operadores de segurança pública.
FLÁVIO SABINO
SoldadoPM. vice-presidente da Associação de Cabos e Soldados -ACS/PMCE
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